#010 – Princípios naturais e autorregulação

A dinâmica autorregulatória dos sistemas vivos

O processo terapêutico parte de um entendimento essencial: a vida se reorganiza quando encontra condições adequadas. Essa capacidade emerge da interação entre organismo e ambiente.

Nada na natureza vive em alta energia constante. A vida pulsa: ação e pausa, expansão e recolhimento. Quando tentamos viver em desempenho contínuo, o organismo responde com ansiedade, irritação, exaustão ou apatia. Esses sinais não são fraqueza, mas alertas de descompasso.

Nada vive isolado; toda forma de agir e sentir se constrói nas relações e nos ambientes. O psicólogo B. F. Skinner foi professor de psicologia na Universidade Harvard até a sua aposentadoria em 1974, mostrou que o comportamento responde às consequências e às condições em que ocorre, não a um “controle interno”. Por isso, o terapeuta olha sempre para o contexto de vida, não apenas para o sintoma.

Quando rotinas, papéis ou relações deixam de servir à vida, o sofrimento aparece como sinal de incoerência. O trabalho terapêutico não impõe caminhos ideais, mas ajuda a reconhecer o que nutre e o que drena energia.

Autorregulação não é controlar emoções à força. É recuperar a capacidade de ajustar o ritmo, reparar rupturas e reorganizar a vida. O terapeuta atua como um jardineiro: cuida do terreno e confia que, quando as condições estão presentes, a vida encontra novamente seu equilíbrio.

A terapia pode ser um espaço para reconstruir esse terreno com cuidado.