#004 – Avaliação Inicial: mapear o ecossistema interno
A primeira sessão não serve para rotular ou apontar falhas. Serve para entender como a vida está organizada agora: o que sustenta, o que se rompeu e quais condições precisam de cuidado.
Em vez de “o que está errado?”, a pergunta é: “Como sua vida está funcionando, e do que ela precisa para se reorganizar?”
Por isso, a avaliação não é interrogatório. É um encontro cuidadoso, em que se observam aspectos emocionais, energia, ritmo da narrativa e sinais de força e fragilidade.
Compreender alguém é olhar para as condições em que o comportamento ocorre. Essa perspectiva dialoga com o pensamento de Skinner, ao considerar o comportamento como um produto da interação com o ambiente. A Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) traduz isso na prática clínica: observar função, contexto e consequências antes de propor mudanças.
O terapeuta constrói um mapa funcional — não como sentença, mas como bússola. Ele orienta o cuidado respeitando o ritmo e a estação atual da pessoa.
Avaliar, aqui, é observar para cuidar.
Quando o terreno se torna fértil, mudanças sustentáveis tornam-se mais prováveis.
A primeira sessão é um convite ao cuidado, no seu tempo.
