#003 – A postura do terapeuta: Intervir nas contingências que organizam a vida

A postura do terapeuta parte de um princípio simples: ele faz parte do ambiente de cuidado. A mudança não acontece apenas pelas palavras, mas por um conjunto consistente de condições estruturais, sustentadas por ética, escuta e presença.

O terapeuta não força nem acelera processos. Ele observa, respeita o ritmo e sustenta um espaço seguro. Como nos ensinou Skinner, o comportamento responde ao ambiente e, na terapia, a presença do terapeuta é parte ativa desse contexto.

Presença na prática clínica é estar atento sem pressionar, disponível sem invadir, firme sem rigidez. Antes de “fazer algo”, o terapeuta cuida para ser um ambiente fértil.

A terapia observa padrões ao longo do tempo, não apenas eventos isolados. Respeita as estações da vida e evita intervenções que gerem resistência ou esgotamento.

O terapeuta não conserta ninguém. Ele atua como guardião do ambiente, criando condições para que mudanças sustentáveis se tornem possíveis.

Um espaço seguro é o primeiro passo para qualquer mudança real.