#006 – Diagnóstico como leitura do sofrimento

O diagnóstico não é um rótulo nem uma classificação fixa. Ele é uma leitura cuidadosa do sofrimento como fenômeno comportamental complexo, que surge quando ritmos, vínculos ou condições de sustentação entram em desequilíbrio.

Em vez de perguntar “o que a pessoa tem?”, a clínica pergunta:
“O que está acontecendo na organização desta vida?”
Que condições corporais e ambientais estão interagindo?
Que adaptações estão em curso?
E que custo elas têm imposto ao organismo?

O sofrimento não é entendido como falha pessoal, mas como tentativa de adaptação. Ansiedade, retraimento, exaustão, impulsividade ou apatia são respostas possíveis de um sistema que tenta se proteger diante de determinadas contingências, de respostas foram selecionadas porque reduziram aversivos.

Uma leitura por eixos, não por rótulos

Para compreender esse funcionamento observamos alguns eixos fundamentais:

  • Ritmo: aceleração, lentidão ou irregularidade.
  • Padrões de resposta: sobrecarga, esgotamento ou colapso.
  • Coerência funcional: alinhamento entre valores, escolhas e papéis.
  • Ambiente e pertencimento: vínculos, contexto familiar, trabalho e suporte social.
  • Padrões de relato verbal: expressão, repetição ou silenciamento.
  • Padrões de adaptação: estratégias aprendidas para lidar com o mundo.

Esses elementos formam um mapa vivo, que descreve como a vida está organizada agora e não quem a pessoa “é”.

Diagnosticar para cuidar, não para definir.

O diagnóstico não congela o processo nem cria identidades patológicas. Ele orienta o cuidado, indicando se é tempo de proteger, reduzir excessos, restaurar energia ou favorecer novos movimentos.

Assim como um ecólogo descreve um bioma para apoiar sua regeneração, o terapeuta descreve o território com precisão e respeito.

Diagnosticar, nessa perspectiva, é iluminar o que está acontecendo para ampliar compreensão e possibilidades de mudança.

O diagnóstico não define a pessoa.
Ele revela o estado atual de organização e aponta caminhos possíveis de restauração.

Quando as condições são favoráveis, mudanças sustentáveis tornam-se mais prováveis.